31.12.13

Inconcreto

Nada de concreto tive, já dizia eu, durante uma vida de incertezas e promessas, existindo sob a esperança de também existir, mas vivendo, sob algo que perdurasse; pois nem mesmo este solo, seja ele sagrado ou maldito, pela graça da eternidade será mantido. Nem que eu permaneça aqui, presente em físico e em mente, para todo presenteado pelo tempo eminente, ei de me tornar concreto. Mas se eu sucumbir ao evanescer da vida, ela, que há de cuidar da minha não mais existência, esta sim se deleita do direito de perdurar, pois somente a morte se concretiza.

Já lhe peço eu, mas morto, que dê-me o corpo ao fogo para que me torne pó, pois, me bastando toda uma vida de existência não concretizada, dispenso o destino de jazer inconcreto sob o solo em concreto.

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