É lá que elas estão. Criaturas vazias, inexpressivas, quase como fantasmas, mas também facilmente confundíveis com zumbis. Sob seus passos largos e automáticos, acompanhados por um “Bom dia”. Mas sem real vontade de desejar um bom dia; mera formalidade.
Lá é onde elas são vistas em suas roupas pretas, roupas brancas. Tão sombrio, sendo quase convincente de que sejam mesmo fantasmas, e os olhares fundos e cansados garantem que são. Lá o ar é gélido e tem cheiro de papel e café, junto de uma evidente falsidade. “Bela gravata” dizem, quando de bela não tem nada!
Lá o som é perturbador; não como correntes arrastando, mas quase isso. Sapatos, caminhando num pulsar insuportável sob o assoalho de madeira. “Toc, toc, toc, toc, toc...”, tão enlouquecedores quanto o tamanho de seus saltos. É como se alguém batesse na porta do inferno, sem que nunca alguém atendesse.
Há vozes! Ah, se não fossem as vozes... Elas e suas palavras e tons desconcertantes. Umas um tanto maldosas, outras demais ingênuas. Mas todas cospem a mesma frustração e se enchem da mesma ganância; dinheiro. É lá que elas, as pessoas, por sobrevivência vendem suas almas. E passam a viver sem elas, tão vazias de si, sem nem ao menos perceberem.