17.12.11

Pra um dia, ser apenas uma lembrança

Eu quero passar o dia esperando pra te encontrar; e quando encontrar, me surpreender por ver que você também me esperou. Te abraçar forte ao dizer que não senti saudades, e desmentir rápido quando você disser que também não sentiu. Não olhar suas fotografias quando sinto vontade, e negar o que sinto quando as olho. Perguntar a todo momento o que você sente, e me desculpar por sentir demais. Me assustar quando você se irrita com minha paranoia, e me envergonhar quando caçoa dela. Chorar quando você parecer não se importar, e chorar o dobro quando for o único que se importa. Me irritar contigo quando caçoa de mim, e rir junto quando não fizer mais sentido. Te dar todo o amor que posso...

Mas jamais - jamais - deixar saber o que sinto, o quanto sinto e como deixaria de sentir, se pudesse.

19.11.11

Uma carta para o Vagalume

Oi, vagalume, tudo bem? Espero que sim.

Sonhei com você na noite passada. Ah, não foi um sonho muito bom, mas ainda sim foi um sonho. Me fez refletir, sabe! Sonhei que você chorava, chorava muito, e eu não podia ajudar. Não conseguia, não conseguia te abraçar, nem secar sua lágrimas. Foi ruim, não conseguia dar a ajuda que queria, e que você precisava. Acordei!

Ah, mas é bem assim mesmo. Acho que não sou suficientemente seu amigo. Talvez eu até seja, mas continuo achando que não. Não me orgulho disso! Amigo. Ah, se ao menos eu fosse pra ti, um terço do que tu é pra mim. Quem dera. Amigo!

Afinal, você é vagalume, Vagalume! Pelo menos, meu vagalume é.

Obrigado por ser vagalume pra mim. Ah Deus, eu pedi para que iluminasse meu caminho, e usaste um vagalume? Obrigado! Vagalume que me ensinou a ter foco, me mostrou a luz, clareou meu caminho que estava imerso no breu. Me deu o que falta de discernimento e inspiração divina. Amigo!

Não só me mostrou o escuro, como me apresentou à ele. Me ensinou a não ter medo da escuridão, e encará-la. Logo eu, vagalume, logo eu que me achava a pessoa mais fraca  pude ver o medo esvair na sua luz. Tá certo, te tenho como guia agora. Amigo!

Um dia quero ter uma luz assim, como a sua, ou talvez um pouco dela que seja. Ah, eu quero ao menos ser pra ti o que tu é pra mim. Me daria por satisfeito. Estou tentando! Não sei mais enxergar no escuro, sem luz, então por favor não se apague de mim.

Obrigado, Vagalume, por ser vagalume. Meu vagalume, amigo vagalume!

Afavelmente,
de seu amigo!

18.10.11

Olha só pra você, garoto

Um garoto, só um garoto normal. Encarava alguma coisa qualquer no céu e se perguntava até onde gostaria de ir, se queria ir longe, onde gostaria de chegar. Quando ele falava, fala palavras comuns, vazias, não as sentia. Mas sabia sentir! E desejava mais do que sentia, desejava ir longe. Todos jurariam que aquelas palavras eram capazes de preencher um ambiente com alegria, mas elas mesmas brotavam ocas. Ele nem sequer provava da essência que exalava.

As manhãs lhe desafiavam. "Você não é o garoto que havia dito que queria ir longe?". Era tudo coisa da cabeça dele? Mas parecia tão real, aquele vazio tão presente. Mas o espelho revelava, escancarava aquele menino ali como uma proposta. Não era tão comum, ele, não era. Lúdico!? Mas ele, pra ele, era comum.

Ei, garoto comum. Abrace a ti e se ensine a ser feliz, olhe pra você.

20.9.11

Ciclo de aprender, buscar e conquistar

Gosto de dizer que a vida segue em quatro palavras. 
São elas: espera, vai, vem e fica. 

Ainda crianças, quando estamos aprendendo tudo e ao mesmo tempo queremos ter o tudo, e nossos pais dizem: espera. Quando estamos prontos pra ter o tudo, nós precisamos ir à luta, então é só o que eles dizem: vai. Muitas pessoas, diversas chances e oportunidades, vão abrir os braços e dizer: vem. Algumas delas, bem poucas, mas o suficiente, vão apertar o abraço e dizer: fica.

17.9.11

O verde do meu azul

Adoro o azul.
Adoro como o verde é verde.
Verde e azul se completam.
Cores vivas. Não só cores, e nem só vivas.
Vivas de terem vida própria e falarem por si.
Não vulgares demais, nem demasiadamente sóbrias.
Puras e cheias de personalidade.

O azul é... nosso ar, é nossa água, nossa paz.
O verde é nosso ar, nosso chão, nossa segurança.
O verde completa o azul. Vice-versa!
Assim como a floresta precisa da água pra estar lá.
Assim como a água precisa da grama pra brilhar de manhãzinha.
Seu verde. Meu azul.

12.9.11

Departamento das almas vazias

É lá que elas estão. Criaturas vazias, inexpressivas, quase como fantasmas, mas também facilmente confundíveis com zumbis. Sob seus passos largos e automáticos, acompanhados por um “Bom dia”. Mas sem real vontade de desejar um bom dia; mera formalidade.

Lá é onde elas são vistas em suas roupas pretas, roupas brancas. Tão sombrio, sendo quase convincente de que sejam mesmo fantasmas, e os olhares fundos e cansados garantem que são. Lá o ar é gélido e tem cheiro de papel e café, junto de uma evidente falsidade. “Bela gravata” dizem, quando de bela não tem nada!           

Lá o som é perturbador; não como correntes arrastando, mas quase isso. Sapatos, caminhando num pulsar insuportável sob o assoalho de madeira. “Toc, toc, toc, toc, toc...”, tão enlouquecedores quanto o tamanho de seus saltos. É como se alguém batesse na porta do inferno, sem que nunca alguém atendesse.

Há vozes! Ah, se não fossem as vozes... Elas e suas palavras e tons desconcertantes. Umas um tanto maldosas, outras demais ingênuas. Mas todas cospem a mesma frustração e se enchem da mesma ganância; dinheiro. É lá que elas, as pessoas, por sobrevivência vendem suas almas. E passam a viver sem elas, tão vazias de si, sem nem ao menos perceberem.

12.7.11

Bom dia!

O vazio ao meu lado que me acordara pela manhã. Você não estava lá, dormindo ao meu lado ou apenas me olhando sonhar. Eu deveria me preocupar? Sem um bilhete, seus sapatos não mais estavam ao pé da cama, não houve uma despedida para que eu pudesse recordar ao me levantar. Nem mesmo um beijo no rosto eu pude sentir; já não te sentia mais por perto. 

O banheiro. Sem mensagem no espelho, mas sua escova de dentes, sua toalha, permaneciam lá. Um bom sinal, talvez. Não te ver ali pela manhã, me fazendo acreditar que a noite anterior realmente acontecera, me fez duvidar que pra você valeu a pena. Talvez seja paranoia, delírio ou até um sonho. Talvez seja puro egoísmo meu de te querer só pra mim.

Olho pela janela e, não, você não estava lá fora fazendo não-sei-o-que.

Talvez o sofá não estivesse aguentando toda aquela minha angustia e ansiedade, mas eu precisava afundar meu rosto nas almofadas para, quem sabe, quando eu abrisse os olhos outra vez, te visse ali me olhando como eu quisera que fosse. Torci para que aquele maço de cigarro ainda estivesse no fundo da velha gaveta. Não fumava! Mas talvez fosse uma boa hora para começar.

Mas a porta abriu. Abriu e você entrou. E como era afável o seu sorriso.
- Bom dia!

O encontro de dois sorrisos. E nossas roupas se tornaram dispensáveis.

9.7.11

Então só lhe restou tentar

Ele disse para si mesmo que era capaz. Que era capaz de se tornar uma pessoa melhor, capaz de arrumar sua vida, capaz de escrever bons textos, capaz de manter o controle, capaz de conhecer novos lugares, novas pessoas; que era capaz de decidir o que queria, capaz de encontrar um talento, capaz de ser normal; e que já era a hora de viver de um jeito diferente.

Mágico seja o pensamento que o levou a acreditar nisso pela primeira vez. E foi desta forma, inocentemente, que ele se convenceu de que sonhos e objetivos tinham seus valores…

Desde então, já não há mais nada nele que o leve a pensar o contrário.

27.6.11

Por baixo do capuz que manchou a neve

A escova deslizava suavemente pelos cabelos, como uma folha que percorre livremente o percurso da correnteza de um rio, cabelos esses num forte tom de bronze. Emoldurava o angelical rosto infantil, suavizava a postura de mulher, juntava-se à brisa na dança do vento. Era como um vento que podia ser visto, tremulava ferozmente, escapava entre os dedos, parecia desmanchar-se com um simples toque. Repousava atrás das orelhas como se indicasse inocência, caía sob os ombros como trunfo de sedução, aquele ruivo flamejante era o coração que palpitava na menina que se tornava mulher. 

O inverno vinha e não poupava. 
A neve vinha, quebrava galhos, congelava e pousava.

Neve, tão branca, pura, mas tão sombria. A garota, que caminhava como se não notasse o frio, manchava o neve com seu capuz vermelho. Era como sangue que gotejava na neve tão branca, tão pura. Era como um pássaro de fogo em uma luta falha contra o inverno. Fina lã vermelha, flamejava com os flamejantes cabelos ruivos.

- Diga garota, à mim que não sois digno de vossa delicada presença, de onde trazes o magnífico calor envolto de teu corpo? - Sussurrou o lobo, em desconcertante tom de voz, arfando.

- Não se acanhe diante de minha presença, velho lobo. Minha senhora sente frio, e só o meu calor não lhe basta. Venha até mim! - Sugeriu a doce e generosa voz, em um gesto de acolhimento.

O lobo, por sua vez, acomodou-se junto à garota naquele aconchegante metro de lã vermelha. Em um ato de carinho, a garota deslizou a mão por cima da lã que cobria o cão, tirando de algum lugar um objeto. Abraçou o lobo e sussurrou:

- Dê-me o teu calor, velho lobo, e eu lhe mostro de onde trago o meu!

Ergueu o braço e, em um gesto quase que imperceptível, cravou o afiado objeto no corpo do animal. Houve um uivo! Um forte uivo que fora calado por sangue e uma lágrima. O couro cheio de pelos lhe foi tirado e, agora, a lã se encontrava ainda mais vermelha.

O animal, ali jazeu, pousando junto à neve.
Foi-se a garota manchando o branco tão puro!

19.6.11

Ouça-me!

Ande. Mas ande depressa, pois nessa manhã a chuva fria não lhe dará paz. Ignore a água nos pés, ignore as pessoas, ignore seu cabelo encharcado. Apenas ande logo, algo lhe espera, algo além de uma mera rotina. Aumente o passo, mas mantenha-se firme, continue andando. Ao chegar, entre! Não se despeça da chuva, ela desconhece cordialidade. 

Seque-se. A febre não lhe dará trégua, portanto, esquente-se. Alguém irá lhe oferecer um agasalho, aceite. Agradeça, mas não o olhe nos olhos, vocês ainda não estão preparados. Quando lhe perguntar, não se acanhe, diga seu nome. Tentando alcançar seus olhos, ele perguntará se está bem; não responda ainda!

Pronto, agora pode olhá-lo. Retribua o sorriso e diga como se sente.  

Tente não olhá-lo muito nos olhos, vai ser difícil, mas pelo menos tente. O dia vai parecer brilhar, mas não se engane, lembre-se da chuva. Em alguns minutos ele irá se despedir com o sorriso apagado, devolva-lhe o agasalho, agradeça novamente. Não se esqueça de se despedir, e guarde muito bem para si o brilho que viu naqueles olhos. 

Muito fácil até aí, não? Agora tente esquecê-lo.
Boa sorte!

15.6.11

Quimera de uma bailarina torta

Dançava a bailarina torta.

A melodia do silêncio. A canção do vento nas árvores. Ao tilintar do gelo no copo de whisky. Bailava em busca de um sonho, absurdo sonho para uma bailarina torta. Sapatilhas encardidas deslizantes no velho assoalho; deslizava mesmo entre os cacos da antiga caixinha de música, do antigo copo de whisky. Outro fouette falho, outro hematoma, mais uma lágrima que vinha, outra dose com gelo.

Assim se amargurava a velha bailarina; assim se depenava o velho cisne. Silenciou uma última dose de bebida, cessou o arrastar das sapatilhas e dependurou-se à janela para ver as folhas dançarem. Vento e folhas dançantes ilustrando uma antiga quimera de uma antiga bailarina.

Pulou!

Então a bailarina torta, que bailava em busca de seu sonho, pode sentir a pirueta de seus cabelos ao vento. A dança da brisa em seu corpo. O encontro com as folhas ao abraçar o chão!

Deitou e então... silenciou.


(Inspirado na música d'A Banda mais Bonita da Cidade)

29.5.11

Uma coxia de surpresas...

Fiquei admirando aquelas pessoas, sob tal desordem e ansiedade, sob a luz que se movia ao som do zumbido de vozes ansiosas e desordeiras. A imensidão, talvez não mais que duzentas cabeças, mas ainda sim uma imensidão; que me aguardava, fosse para me aplaudir ou me engolir. Dois mantos imensos e vermelhos se arrastavam, um de encontro ao outro, fechando consigo o zumbido da imensidão de falantes. 

Era a hora. Mas hora de que? As palavras fugiram de minha mente, e as pernas tremerem daquela forma não estava programado, talvez fosse um sinal para desistir. Ou então devesse apostar na sorte; talvez ao abrir os lábios, as palavras jorrasem de minha boca de forma quase que espontânea. Estava decidido, eu iria desistir! E a desistência me fez ouvir outra vez aquele falatório, desta vez uma única palavra em couro: FRACASSADO! FRACASSADO!

Aquela palavra, audível apenas em meus pensamentos, travou minhas pernas de tal forma que deu mais tranquilidade a minha mente. De repente, os votos de boa sorte da equipe me fez sentir algo que eu desconhecia, algo que apertava em meu peito e queria me arrastar para o meio do palco. O medo me impedia!

"Quebre a perna!" Disse uma garota que mal se fazia notar, usando tal expressão que servia para se desejar sorte. O medo, as vozes em meu pensamentos e qualquer outra coisa que me impedia de entrar no palco, foram derrotados por uma voz mais forte em minha mente que dizia: "Eu não tenho medo de quebrar a perna!". 

Entrei no palco! Mal podia ver a multidão, enquanto sentia meu corpo se esvaziar de algo bom que parecia estar repreendido a muito tempo em mim, um prazer desconhecido. Os minutos se passavam, e eu não percebia o que estava fazendo, apenas sentia e deixava fluir. Acabou! Encarei novamente o silêncio, o nervosismo, novamente a imensidão. Pareceu uma eternidade até que todos se levantaram e transformaram o silêncio em uma reconfortante salva de palmas. 

Sorri para o novo zumbido que rondava e me curvei para a multidão.

17.4.11

Defina perfeição

Muitas vezes me pego observando pessoas... mais interessantes entre as demais. Digo, qualquer criatura dessas com um ego inflado por dentro de um corpo que a sociedade intitula como BELEZA. Não conheço todas as pessoas "belas" do mundo para dizer que todas elas são burras, arrogantes e hipócritas (Já conheci tais pessoas que na verdade são boas, facilmente confundidas com anjos, de tão adoráveis). Mas o que diabos tem a maioria dessas pessoas, para se sentirem tão poderosamente incríveis sob os demais? Ser belo, atraente, sedutor, de lindos cabelos e suave tom de voz, não considero como qualidades consideráveis. Não digo isso por eu ser  alguem nada atraente, talvez eu seja para muitos, pois tem que ser levado em consideração o gosto de cada um. Mas e essas pessoas ditas como "perfeitas"? Por terem a atenção da maioria? Por serem descolados e atraentes? Tudo isso não define perfeição, pelo menos não pra mim. Não denominaria nada como perfeito, é um valor exagerado para qualquer coisa no mundo, mas todas as pessoas tem suas próprias qualidades... suficientes para torná-las belas. Só resta que os superficialmente "perfeitos" descubram sua real qualidade.  


Who says you're not perfect?
Who says you're not worth it?
Who says you're the only one that's hurting?
Trust me... That's the price of beauty
Who says you're not pretty?
Who says you're not beautiful?

(Who Says - Selena Gomez)

Rotina cansativa e confusa

O orgulho de ter superado o hoje e o medo de enfrentar o amanhã. É como se os dias preferissem seguir padrões; hoje vai ser um dia bom, mas amanhã será péssimo, e na semana que vem a mesma coisa. Os sonhos parecem sempre os mesmo, as preocupações são tão previsíveis, os problemas se repetem descaradamente e as soluções na mesma demora de sempre. Tudo sempre tão igual, mas mesmo assim tão exaustivo, desgastante. É como se faltasse uma nova aventura, e no lugar estivesse o medo de se aventurar. 

A noite me faz acreditar que um pouco de sono resolve tudo; acordar e encontrar tudo mais simples de se resolver. Mas o dia me obriga a enfrentar, mesmo sem coragem. Enfrento as pessoas, os problemas, enfrento a mim mesmo... Percebo que aos poucos se torna raro sorrir ou me sentir aliviado, mas mesmo assim não desisto de continuar. Não entendo por que.   

14.3.11

Reflexões de travesseiro

A vida é injusta! Isso é mais do que claro, é óbvio. Sei que não deveria estar reclamando disso, pois acima de tudo o que importa é ter saúde, mas há pessoas que nem isso tem mais. Sem essa de "tudo acontece no seu tempo, entregue na mão de Deus", pois isso é coisa de gente que não tem mais do que precisar. 

Eu não tenho do que reclamar, tenho saúde e família estável, apesar das imensas dificuldades e momentos de fraquezas, mas que podem ser consideradas coisas da minha idade. E, o que espero da vida, é muito pouco comparado ao que milhares de pessoas necessitam. Digo, pessoas no mundo todo que recentemente perderam casa e família, a necessidade delas fazem da minha algo mais do que insignificante.

Eu só queria uma vida social estável, poder manter relações bacanas com as pessoas, ter mais confiança em mim mesmo, entre outras coisas. Até então eu nunca havia reclamado disso diretamente, pois de fato isso é muito pouco pra passar a desgostar da vida, mas então passei a notar pessoas que tem tudo isso e mesmo assim não valorizam. Quando será que o ser humano vai ficar satisfeito com o que tem? Eu particularmente posso dizer que estou satisfeito com o que tenho conquistado, só que ainda não encontrei o meu lugar no mundo, e é só isso o que eu quero. Enquanto alguns, tendo a vida que tem, desvalorizam conquistas, desperdiçam oportunidades e ainda reclamam.

2.3.11

Post #14

Me domina ultimamente um vazio assustador. Falta um entusiasmo, uma aventura, um objetivo e talvez uma vontade de acordar todos os dias. Nada mais parece importar, cigarros e palavras são apenas distração, viver e morrer passou a ser só uma formalidade. Dormir, na esperança de que tudo estará melhor no dia seguinte, é a ilusão que a vida faz questão de pregar em minha cara toda santa noite. Quando nada mais faz sentido, e todas as motivações se tornam duvidosas, resta-me que eu me renda a essa formalidade de estar aqui e logo não estar mais. E, na falta de um bom motivo para permanecer vivendo, me surge à decisão de nunca desejar e nem ter esse motivo. Manter este sorriso forçado e esta falsa determinação, convence tão facilmente a vida e a sociedade, que chega a ser nauseante.

21.2.11

Post #13

Os dias lhe atordoavam, um após o outro, faltava-lhe vontade para vivê-los e fôlego para encará-los. Restava-lhe o medo! Medo de estar entre as pessoas, de fazer escolhas, de encarar as conseqüências, os altos e os baixos. E o que ainda fazia o ar lhe preencher os pulmões, era a esperança. Esperança de um dia conseguir olhar nos olhos, de saber o que fazer e como fazer. Esperança de um dia ter tudo aquilo o que desejou e todos aqueles com quem sonhou. Não sonhava, apenas aguardava pelo dia em que as coisas finalmente aconteceriam, mas queria saber sonhar. Expectativas decepcionam, sonhos dão o infinito!

31.1.11

Aquele Olhar

"(...) 

Em um momento eu quis sentir a força da sede de prazer que ele tanto sustentava, mas em outro eu queria que isso o matasse. Queria sentir do prazer que ele era capaz de proporcionar, mas também desejava poder ver o mal que essa capacidade lhe traria.

(...) 

Segurei-o por trás. Seus gestos ágeis e cautelosos se tornaram ainda mais ágeis, mas tão impulsionais. Agitava os braços como se quisesse batê-los no ar até levantar vôo. Pude sentir seu hálito e seus lábios quentes em minha mão esquerda, enquanto o impedia de gritar. Curvei meu rosto sobre seu ombro e pude ver uma última vez o olhar que gritava de medo no lugar da voz.

O punhal em minha mão direita cravou em seu pescoço cortando-o tão forte e lentamente. Seus gestos por impulso amenizaram, já não podia mais sentir sua luta para pedir por socorro. Restou apenas seu sangue, tão quente quanto seus lábios, escorrendo por minha mão e pelo corpo que lentamente ia de encontro ao chão."

Trecho retirado de um conto de minha autoria. 
Para ler o conto completo, clique aqui.

27.1.11

I'm golden

Eu era apenas um garoto! A porta estava aberta para mim e eu tinha tudo. Olhando para aquele tesouro, coisas que perderam o sentido com o tempo, como mágica, então eu percebo. Agora estou aqui, sozinho, à procura e à espera de ajuda. Me deixei chegar à este ponto, me machucando pelo caminho, muitos anos se passaram e não sou mais um garoto que tem tudo. Ainda me pergunto porque deixo o mundo me controlar, a vida me levar, me fazer sangrar até secar. 

Mas, quer saber? Eu sou adolescente, tenho sonhos de adolescente e vivo nesse complexo mundo de adolescentes. Corro feito um louco, vivo feito um palhaço, propositalmente. Quem dá a mínima para família e obrigações? Eu sou jovem e não desistirei enquanto quiser algo. Entenda de uma vez sociedade; eu vivo para brilhar, e não para você. E ainda acha que sabe alguma coisa sobre mim?

Texto inspirado na música: We Are Golden - Mika

24.1.11

Não era, e nem nunca fora,

nada mais que um garoto normal. Sorria as vezes, sabia engolir um choro, formava opiniões e possuía sentimentos que precisavam ser expressados. Um jovem como qualquer outro, sem nenhum problema, mas cheio deles. Num mundo onde tudo lhe tirava do sério e a busca por conforto e felicidade parecia infinita. Uma mente não fora do comum, onde tudo parecia ser mais complicado do que realmente era, onde as expectativas eram maiores do que deveriam. Onde quem comandava eram as ilusões, os impulsos e os sentimentos.

E lá vinha ele todas as manhãs, alimentava os passáros enquanto vagava distraídamente por seus diversos pensamentos. Alimentava também a esperança de tornar aquele dia um pouco especial, talvez um pouco inesquecível e, se possível, suficientemente feliz. Encerrava os dias em seu travesseiro, novamente vagando por pensamentos e sentimentos, mas desta vez com a sensação de fracasso. 

Ele queria fazer algo importante! Não, não SER alguem importante, e sim fazer algo que pudesse ser valorizado. Não queria ser notado, elogiado ou criticado por qualquer que fosse seu ato, apenas desejava ter um pouco de reconhecimento. Suar para fazer algo que fosse valorizado e tivesse seu esforço reconhecido. Para ele, o esforço era muito melhor e mais importante que a gratidão. E, de fato, ainda é. Satisfazer é fácil, dificil é impressionar.

Despertava o desejo de desistir, mas mantinha o de continuar tentando.

15.1.11

We R Who We R

É a maldita hora de viver a vida. Estou tão cansado de ser tão sério,
e isso está fazendo meu cerébro delirar. Só estou falando a verdade,
sobre as merdas que fazemos. Então essa noite vamos ficar loucos,
como se o mundo fosse nosso, arrebentando. Somos super estrelas,
nós somos quem somos. Dançamos como idiotas, e nossos
corpos ficam dormentes. Seremos jovens para sempre! ♪

6.1.11

Post #08

Quando vai ser minha vez de não ter medo de sentir, de viver e ser feliz? Não mais ter medo de gostar de alguem, temendo que não seja recíproco. Quero ter coragem pra encarar e forças para superar, se for preciso. Ser capaz de erguer a cabeça, na hora certa, e seguir em frente sem olhar pra taz. Apagar o passado com a mesma facilidade que o destino consegue apagar minha felicidade. Saber reconstruir minha vida com a mesma calma que o destino me traz devolta o que havia tirado de mim. Aprender a tirar proveito das derrotas e a valorizar as vitórias. Quero ter energia pra me reerguer, mas tambem um braço amigo pra me apoiar. Quero a audácia de lutar por meus ideais, sem desistir na primeira batalha. Quero ter meu esforço reconhecido e meus erros esclarecidos. Ter meu respeito retribuído. Saber aceitar a realidade e, acima de tudo, ser FELIZ!