12.7.11

Bom dia!

O vazio ao meu lado que me acordara pela manhã. Você não estava lá, dormindo ao meu lado ou apenas me olhando sonhar. Eu deveria me preocupar? Sem um bilhete, seus sapatos não mais estavam ao pé da cama, não houve uma despedida para que eu pudesse recordar ao me levantar. Nem mesmo um beijo no rosto eu pude sentir; já não te sentia mais por perto. 

O banheiro. Sem mensagem no espelho, mas sua escova de dentes, sua toalha, permaneciam lá. Um bom sinal, talvez. Não te ver ali pela manhã, me fazendo acreditar que a noite anterior realmente acontecera, me fez duvidar que pra você valeu a pena. Talvez seja paranoia, delírio ou até um sonho. Talvez seja puro egoísmo meu de te querer só pra mim.

Olho pela janela e, não, você não estava lá fora fazendo não-sei-o-que.

Talvez o sofá não estivesse aguentando toda aquela minha angustia e ansiedade, mas eu precisava afundar meu rosto nas almofadas para, quem sabe, quando eu abrisse os olhos outra vez, te visse ali me olhando como eu quisera que fosse. Torci para que aquele maço de cigarro ainda estivesse no fundo da velha gaveta. Não fumava! Mas talvez fosse uma boa hora para começar.

Mas a porta abriu. Abriu e você entrou. E como era afável o seu sorriso.
- Bom dia!

O encontro de dois sorrisos. E nossas roupas se tornaram dispensáveis.

9.7.11

Então só lhe restou tentar

Ele disse para si mesmo que era capaz. Que era capaz de se tornar uma pessoa melhor, capaz de arrumar sua vida, capaz de escrever bons textos, capaz de manter o controle, capaz de conhecer novos lugares, novas pessoas; que era capaz de decidir o que queria, capaz de encontrar um talento, capaz de ser normal; e que já era a hora de viver de um jeito diferente.

Mágico seja o pensamento que o levou a acreditar nisso pela primeira vez. E foi desta forma, inocentemente, que ele se convenceu de que sonhos e objetivos tinham seus valores…

Desde então, já não há mais nada nele que o leve a pensar o contrário.