Troco essa vida dos prazeres privada, pelas mais bem ditas obras, benditas histórias em papel registradas. Prefiro nos livros a cara enfiada, do que dá-la a tapa á essa vida mal contada. Mil vezes viver em versos e lembrar fantasias, do que existir em concreto e se deixar traumatizar por realidade tão fria. Dispenso confraternizações com qualquer pessoa que seja, agrada-me muito mais a presença das traças, ainda que estas devorem-me os livros.
Se me é imposto que necessito de viver, aceito de bom grado a condição de respirar, beber e comer. Apenas não peça-me pra que eu saia, nem que proseie com este povo nem ao menos meramente tolerável, por favor, não sejas assim tão cruel. Permita-me que eu viva ao meu modo, que de companhia basta-me os personagens tão afavelmente vivos em tinta no papel. São estes os eternamente responsáveis por mim, uma vez que me cativaram.
Meu mundo é quadrado e cabe entre as quatro paredes de uma biblioteca. Minhas aventuras são diversas e tenho-as enfileiradas nas estantes. Meus dias são capítulos e minhas prosas podem ser em primeira ou terceira pessoa. Meu corpo assume mil capas diferentes e, em meu sangue, cada hora circula uma história.
Este é o meu enredo. Não faço parte das páginas em branco do mundo real. Então por gentileza, não me feche antes do meu epílogo.
Adorei.
ResponderExcluirMuito bom!
ResponderExcluirEmbora eu discorde parcialmente desse modo de vida, pelo menos se for tão extremista assim, o texto em si foi incrível, admirável. Abraçao
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