11.8.13

Literoexisto

Troco essa vida dos prazeres privada, pelas mais bem ditas obras, benditas histórias em papel registradas. Prefiro nos livros a cara enfiada, do que dá-la a tapa á essa vida mal contada. Mil vezes viver em versos e lembrar fantasias, do que existir em concreto e se deixar traumatizar por realidade tão fria. Dispenso confraternizações com qualquer pessoa que seja, agrada-me muito mais a presença das traças, ainda que estas devorem-me os livros.

Se me é imposto que necessito de viver, aceito de bom grado a condição de respirar, beber e comer. Apenas não peça-me pra que eu saia, nem que proseie com este povo nem ao menos meramente tolerável, por favor, não sejas assim tão cruel. Permita-me que eu viva ao meu modo, que de companhia basta-me os personagens tão afavelmente vivos em tinta no papel. São estes os eternamente responsáveis por mim, uma vez que me cativaram. 

Meu mundo é quadrado e cabe entre as quatro paredes de uma biblioteca. Minhas aventuras são diversas e tenho-as enfileiradas nas estantes. Meus dias são capítulos e minhas prosas podem ser em primeira ou terceira pessoa. Meu corpo assume mil capas diferentes e, em meu sangue, cada hora circula uma história. 

Este é o meu enredo. Não faço parte das páginas em branco do mundo real. Então por gentileza, não me feche antes do meu epílogo. 

3 comentários:

  1. Embora eu discorde parcialmente desse modo de vida, pelo menos se for tão extremista assim, o texto em si foi incrível, admirável. Abraçao

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